TRAVESSIAS

  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following
  • following

CinePloft

2

 

            

Ontem se encerrou em João Pessoa o 5º Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, o CinePort. Os realizadores resolveram presentear com mais um dia de evento o estado que tão bem o recebeu. Na verdade, um mea culpa pela desastrosa organização dessa edição.


Quem lá esteve deve ter se lembrado de “A casa”, de Vinicius de Moraes. Era um festival muito engraçado, tinha teto, mas não tinha nada. Programação, curadoria, conforto e decente exibição não tinham não. Mas era feito com muitos zero$ do estado dos bobos, sem nenhum esmero.


Pois é, a caixa de pandora tinha mais males do que o esperado. Além dos filmes em língua estrangeira sem legenda, desconforto das cadeiras, e Blockbusters “passados” como destaques, problemas já de outras edições, este ano tivemos que engolir mais sapos. Nesse 5º Cineport contamos com uma absoluta falta de critério na escolha das produções a serem exibidas, curtas, médias e longas-metragens na mesma sessão, produções cinematográfica, televisiva e institucional disputando o mesmo espaço; com uma péssima qualidade de exibição, com vários filmes tendo sua imagem achatada; e com uma programação atrasada e inexistente, e por aí vai. Mas, como escutei muita gente falar, isso é Paraíba, né?


Não, senhor! Que esteve em festivais como o de Areia pode dizer que nosso estado tem condições e vem realizando com sucesso eventos culturais de grande porte. Essa esculhambação é a Fundação Ormeo Junqueira Botelho, entidade promotora do evento, e é também o poder público que afiança um festival itinerário sem exigir garantias de que o dinheiro ali investido vai ser bem utilizado.

                                                                E como fica o paraibano que além de pagar seus impostos, sendo, portanto, também fiador do evento, ainda paga dois conto pra entrar num festival que parece mais preocupado em encher a burra de dinheiro? Calados, irão responder alguns, conscientes do nosso “complexo de patinho feio”, enraizado num conformismo político pra lá de arcaico. Entretanto, já existem vozes que lutam contra esse silêncio cúmplice. O movimento “A Paraíba precisa ser assistida”, que exige do governo maior visibilidade e investimento em produções cinematográficas locais, esteve no evento fazendo suas reivindicações, e mostrou que tem paraibano que não curte ser feito de bobo. Botou o seu bloco na rua e até a Rede Globo local teve que aturar.


Mas enfim, festival acabou, andorinha voou, sobrevoou João Pessoa, revelou-se pombinha e ploft!, foi-se embora. Tudo bem, deixe está! Ela ainda volta! Da próxima vez quero é ver ela aprontar uma dessas, se a gente abandonar os semblantes abobalhados e nos armarmos até os dentes com pedras e baleadeiras.

                                                                Ícaro Allende

Não entre em pânico, Douglas Adams tem a resposta

E se alguém te dissesse que o planeta Terra é um computador orgânico criado pelos fabricadores de planetas de Magrathea para se obter a Questão Fundamental da Vida, do Universo e Tudo Mais, sob encomenda dos ratos - a forma de vida mais inteligente do mundo?

                                              

Sabe “Guerra nas Estrelas” e “Jornada nas Estrelas”?, aquelas cultuadas séries de ficção-científica cujas tramas de política, intrigas e heroísmo interestelar se baseiam em conceitos fantásticos e extraordinários, mas ainda assim convincentemente fundamentados por princípios de astronomia e físico-química? Jogue essas intricadas premissas futurísticas no liquidificador, adicione doses generosas de humor britânico à la “Monty Python” e você terá em mãos a genialidade cômica de Douglas Adams e seu “Guia do Mochileiro das Galáxias”, o primeiro volume de uma trilogia de quatro livros que, na verdade, são cinco.

 
Não consigo lembrar nenhuma leitura nos últimos anos que me tenha feito rir tanto, mergulhando personagens superestereotipados em diálogos espirituosos e alusões inventivas que parecem saídas de um clássico episódio de “Seinfeld” ou “Community”. Adams é um ótimo contador de histórias; ele desce do pedestal solene de narrador e envolve o leitor com a camaradagem de sua prosa irreverente, destilando o ácido de sua língua afiada sobre as idiossincrasias do mundo pós-moderno na forma de conjecturas filosóficas e humor nonsense disfarçados de ficção-científica.
 
Rindo de si próprio, de seu cúmplice (o leitor) e das alienações que definem o prosaico de nossas vidinhas mundanas sem rumo, Adams narra como a rotina tediosa de Arthur Dent vira um episódio mal explicado de “Perdidos no Espaço” quando o mochileiro intergaláctico Ford Prefect o salva da explosão da Terra, executada pelos vogons - alienígenas gordos e obtusos cuja obsessão por autenticações e requerimentos soa como um soco bem dado no ineficiente e viciado sistema burocrático. Nosso planetinha, vejam vocês, foi sumariamente vaporizado para a construção de uma nova via expressa hiperespacial.

       

E é nesse tom de gozação e humor negro que Adams brinca impiedosamente com as expectativas do leitor, subvertendo as peculiaridades do que se convencionou como literatura de ficção-científica e preferindo explorar o hiperfuturismo fantástico do gênero como metáfora para vislumbrar o absurdo e os acasos da existência. No meio do caminho, jargões acadêmico-científicos e noções herméticas de metafísica são solenemente debochadas, assim como o incorrigível deslumbramento consumista do homem pelas últimas bugigangas tecnológicas inúteis.
 
No caótico e barulhento Universo de Adams, não estamos sós, mas acompanhados por hordas de formas de vida tão exóticas e perdidas quanto os terráqueos.

                                                            Victor Souza

Pobre Diabo

Hoje vi um fantasma

de luto, negro como quê

será q era por quem ela matou?

Então…

Ela correu,

Disparou,

Como quem corre do mal ou da morte;

Como quem vê o diabo!

O medo tomou-lhe a magra face

Super viu sua passagem pro inferno?

Sim, ela viu o diabo!

Em toda sua brabeza

Que não tinha nada da unidade divina

                                                                      Lembro-me de vê-la viva, muito viva.

Também, em silêncio, vi sua morte.

Morreu como uma rosa

Com o olhar baixo

Logo ali

Não tinha espinhos

Só fugia

Pobre era o diabo!

                                                                                                             RAMÓN

A César o que é de César! Ao povo o que é do povo! Ou tudo junto e misturado?

4

                       

Antes mesmo de o Governador subir ao palco para a cerimônia de abertura, o 12° Festival de Areia já tinha sido inaugurado.  E não falo das oficinas e mesas que ocorreram durante o dia. Refiro-me aos aparelhos de sons amplificados dos porta-malas dos carros que romperam com a empolada oficialidade do evento e com o silêncio dessa pacata cidade, mandando o seu recado: a cidade está em festa!

                                                                E o fuzuê foi grande! Barraqueiros, swingueira, forró eletrônico, funk, Zé Ramalho, caiana dos crioulos, congos de Pombal, tudo junto e misturado. Eis a diversidade.

                                                                Mas há quem ache isso um absurdo. Com o bonde de Chico César na cidade, há quem queira o povo calado e o som de seus carros desligados. Que deseje o povo só para aplaudir e referenciar o êxito do evento. E que assim esquece que em qualquer Festival o objetivo principal é o diálogo, e não a catequese. Por que o povo não pode dá sua contribuição do seu próprio jeito?

                                                                 E aqui não se discute a qualidade dessas músicas automotivas, entretanto, por que a censura ao invés de uma conversa amigável no batente de casa? Aviões e Calcinhas da vida fazem sucesso somente pela miséria educacional e pela pouca evidência de músicos mais talentosos? Será que não há nada de identitário que fuja às teorias epidérmicas do consumidor passivo? Essa é a música que o povo chama de SUA, e na construção de uma Paraibanidade ela não teria que ser levada em consideração?

                                                               Também não se discute a ausência desse tipo de atração na programação, há muito que mostrar, há muitas Cátias de França sem palco para cantar o seu talento. Não é dever do governo pagar o circo pro povo, política cultural é política de promoção de artistas populares, que não fazem concessões comercias à sua arte, e por isso ainda têm pouco apelo comercial. O que é do mercado, o mercado dá conta.

                                                               Contudo, aqui se questiona uma pretensa cultura paraibana purista e elitista. Uma cultura que enxerga o povo como mera massa de manobra. Ora, o povo precisa se sentir partícipe na construção de uma identidade cultural local, mesmo que seja abrindo a mala e soltando SEU som, caso contrário ele troca de estação, de canal, esvazia o festival.

                                                                Ícaro Allende

 

Reverberações de uma twitte polêmico anti-mulher!*

     

Alguns meses atrás declarei em meu twitter que as mulheres de hoje me entediavam. Agora vou além: digo que elas nos aborrecem e são previsíveis, o que as deixam bem próximas – pelo menos para mim – de uma região de grande desimportancia enquanto grupo social.

 

Á época, minha declaração gerou controvérsia e calorosos debates em minha timeline. Prevaleceram duas opiniões sobre mim: ou eu seria algum corno convicto, ou estaria logo logo a me “converter” ao homossexualismo. Alguns mais auspiciosos disseram que eu, de fato, estaria dentro das duas possibilidades.

                                                            Óbvio que não entenderam o que eu quis dizer, e é óbvio que preferiram polemizar minha declaração. Mas pare um minuto e analise. Olhe ao seu redor.

                                                            Vemos as deusas em nossos outdoors , em poses extravagantes e orgasmáticas, usando bolas e outros assessórios triviais que custam mais do que seus salários. Em outras propagandas vemos jovens mulheres paquerando apenas porque estamos com copos de cervejas em mãos.

                                                            Tristemente as mulheres de hoje parecem imitar todos estes exemplos mercadológicos. A maioria delas estão preocupadas em o que vestir no próximo show de Aviões do Forró; ou nos exercícios específicos para o crescimento do bumbum em academias de ginásticas; ou na última moda para tratamento de seus cabelos.

                                                              Vejo dificuldades em encontrar mulheres que possam discutir história, arte, álbuns de uma boa banda de rock, ou até as políticas do governo Dilma, por exemplo. Elas sabem da importância do STF ou de autores da literatura que não sejam Stephenie Meyer? A única química que conhecem realmente será a das tintas em seus cabelos?

                                                              Óbvio que existem exceções, mas essas já foram seduzidas por rapazes fúteis, com grana e inexoravelmente ciumentos - claro, eles sabem do tesouro que tem em mãos. Fora isso o panorama é desolador mas inevitavelmente entediante. São sempre as mesmas histórias:

                                                               a. Se você tivesse ligado para mim mais cedo eu até iria, mas agora tenho que sair com meus pais;

                                                                b. Nem vou poder sair, tenho prova segunda-feira. Vou precisar passar o final de semana estudando. Liga para mim próxima semana, pode ser?

                                                                c. Eu quero ir com calma com você

                                                                d. Sai de um relacionamento agora e não quero complicar nossa relação;

                                                                e. Blá, blá, blá.

                                                                Isso leva a um incrível comodismo masculino e a desvalorização do sexo oposto. Não há mais cavalheirismo (afinal, nem precisamos). Hoje não há mais poetas porque não há musas. Referimos-nos a elas como ‘boyzinhas’ e outros termos menos educados. Faltam às mulheres serem mais… Mulheres!

                                                                Acho que é o fim da espécie humana, ou apenas da minha vontade de procriar.

                                                                *Este texto é uma peça de ficção que não necessariamente expõe o ponto de vista do autor (será?).

                                                              Tarcisio Oliveira

Theme By Idraki and Powered by Tumblr 2010.
Typerwriter and Paper Image Courtesy of Google. Icon Credited to Webdesignerdepot